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Nicarágua: vulcânica, tropical e acolhedora

03/10/2019

Por Felipe Mortara*. Especial para a The Traveller

Até as primeiras pesquisas na internet eu pouco sabia e muito ignorava sobre a Nicarágua. Meus conhecimentos se resumiam ao fato de o país produzir banana, ter saída para o Mar do Caribe e para o Oceano Pacífico. Ah, e também como terra do líder revolucionário Augusto Sandino (1895-1934). Confesso que as buscas no Google não foram tão esclarecedoras quanto esperava. Só pude ter uma vaga ideia quando me vi por alguns dias em meio a um país com vulcões e florestas, praias e montanhas, muito bem recebido pelo povo “nica”. 

As boas-vindas chegam no abraço do calor e da umidade do aeroporto de Manágua. Em poucas horas, já me vejo aconchegado na sincera simpatia de um país pouco menor do que o Estado do Ceará e que enxergou no turismo um caminho promissor, ao se inspirar no exemplo de sucesso da vizinha Costa Rica. Do Brasil, até saborear a primeira taça de rum nicaraguense, é preciso fazer escala em Lima, Bogotá, Cidade do Panamá ou San Salvador. Embora algumas áreas do lado caribenho falem inglês e miskito, dialeto de origem africana, os brindes costumam ser em espanhol. Afinal, estamos no maior país da América Central, colônia espanhola entre os séculos 16 e 19, até conquistar sua independência, em 1821.

Hoje a Nicarágua ainda vive de sua agricultura por conta do solo vulcânico extremamente fértil – café, carne e derivados de cana são os principais produtos. Mas inspirado no exemplo costa-riquenho, o turismo em breve deve superar as exportações. Por falar nisso, o dólar é aceito em todo o país, ainda que o córdoba seja a moeda oficial.

Mesmo com vastas zonas de pasto, boa parte da superfície segue coberta por florestas, com 17% do país em áreas de preservação. Tanto por estar na rota de quem percorre a América Central, como por combinar passeios incríveis e hospedagens baratas, os mochileiros já descobriram há tempos a Nicarágua. Mas pouco a pouco surgem opções mais exclusivas. Desde 2014, o Mukul Resort se esconde num trecho majestoso da chamada Costa Esmeralda com bangalôs na mata, cercados por aves deslumbrantes. Ah, serviço, spa e gastronomia dignos dos melhores hotéis do mundo.

Apesar de arborizada, não vale a pena se demorar em Manágua, já que as históricas León e Granada são as verdadeiras capitais turísticas. Lar dos mais bem preservados traços dos três séculos de colonização espanhola, Granada tem um quê de Paraty com algo de Ouro Preto. A Catedral de Nossa Senhora da Assunção, de 1751, é imponente, mas do campanário da Igreja de la Merced você terá a melhor vista da cidade sob a égide do Vulcão Mombacho. Já León abriga um pouco mais de história recente, como o Museu de la Revolución. Os guias, ex guerrilheiros que participaram do movimento sandinista, se animam contando mil e um causos. Dos mais influentes poetas hispânicos de todos os tempos, Ruben Darío (1867-1916) teve sua casa transformada num museu que recorda vivências literárias em vários países. Entre as belezas que o homem não criou, ilhas com mar calminho e azul do Caribe, como a de Ometepe e as 365 ilhotas do Lago Nicarágua, além de praias ótimas para o surfe no Pacífico e caminhadas por vários dos 14 vulcões do país. Entre os seis ativos, dois se sobressaem para além do trekking e de pequenas chaminés. No Cerro Negro, os visitantes podem descer a montanha de cascalho a bordo de pranchas de aço em altíssima velocidade, enquanto no Masaya é possível ficar cara a cara com a lava em ebulição. E o melhor, o percurso é acessível de carro e basta dar alguns passos para espiar a cratera. Num paralelo viajante, é quase como a Nicarágua, que está logo ali, esperando pelo seu olhar.

Quando ir
Dezembro a abril.


Onde ficar

Mukul, Auberge Resorts Collection
Cercado por paisagens hipnotizantes, o Mukul, Auberge Resorts Collection reserva momentos especiais na região de Tola, na Nicarágua. Com o intuito de celebrar os produtos locais, sua decoração conta com exposição de objetos e móveis artesanais desenvolvidos por nicaraguenses, além de utilizar ingredientes da região nos pratos criativos do restaurante.



* Felipe Mortara é viajante desde sempre, já fez yoga dentro de uma cratera e encontrou Stephen Hawking no supermercado. Passou anos viajando como repórter do Estado de São Paulo, adora testar e descobrir pistas novas para esquiar, além de indicar praias únicas.

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