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Marrakech e Essaouria

28/11/2019

Por Marina Linhares*. Especial para a Teresa Perez Tours

Recentemente voltei ao Marrocos. Quando estive lá, há quase dois anos, quis descobrir tudo sobre Marrakech com aquela ansiedade gostosa da primeira viagem. Conheci souks labirínticos, riads suntuosos, jardins perfumados e inúmeras construções de terracota. Saí de lá entendendo os contrastes desse lugar colado no Deserto do Saara e coroado pela Cordilheira do Atlas ao fundo: na parte moderna, hotéis e casarões, como no bairro Guéliz; na parte antiga, a grande Medina cercada por muralhas.

Desta vez foi diferente, já que a viagem teve um objetivo específico: “farejar” e fotografar coisas belas que encontraria pelo caminho como inspiração e pesquisa para o meu segundo livro Alguém Passa por Aqui e Deixa Alguma Coisa. Acabei fazendo uma espécie de imersão na cultura norte-africana, em meio a aromas de especiarias, sons diferentes e coloridos absolutamente deslumbrantes. Quem já visitou o país sabe que cores vibrantes, como azuis, amarelos e vermelhos, estão por todos os cantos – nas portas das casas, nos jardins urbanos e museus e até na imensa diversidade de produtos à venda nas ruas.

Em Marrekech, as cores vibrantes estão por todos os cantos - nas portas da casa, nos jardins urbanas e museus e até na imensa diversidade de produtos à venda nas ruas

O Museu Yves Saint Laurent, inaugurado em 2017, que guarda mais de 3,5 mil criações do designer francês, foi uma das boas surpresas. O acervo, que conta com o vestido Mondrian e a  aqueta com girassóis de Van Gogh, não tem a ver diretamente com o estilo da arquitetura marroquina, mas a estrutura do espaço, sim! A trama de tijolos à vista, que lembra um véu rendado e envolve a fachada do prédio, cuja assinatura é do também francês Studio KO, revela a influência árabe. Logo na entrada, a maravilhosa parede de ladrilhos em tons esverdeados, aplicados de forma bem contemporânea, remete a um dos elementos mais tradicionais da arquitetura local: os azulejos zellige. Invenção dos mouros, até hoje são feitos artesanalmente por homens que moldam o cimento e criam aqueles padrões geométricos e mosaicos maravilhosos.

Outro lugar, que inclusive fica ao lado do museu, é o enigmático Jardim Majorelle. Esse oásis botânico, repleto de plantas exóticas e embalado pelo canto de inúmeros pássaros, já pertenceu ao pintor francês que dá nome ao lugar e, a partir dos anos 1980, foi comprado por Saint Laurent e seu companheiro, Pierre Bergé. O mais interessante não é só a beleza da casa cubista em azul-elétrico, mas seu interior. Ali está instalado o pequeno, mas não menos importante (e belíssimo!) Museu Bebère, que guarda uma preciosa coleção de vestimentas, joias e utensílios que pertenceram a uma das populações mais antigas da África.

Highlights em marrakech
 

LRNCE
A marca da artista belga Laurence Leenaert é focada em lifestyle, decoração de interiores e acessórios que capturam o espírito artesanal norte-africano. Roupas, acessórios para casa, cerâmicas inspiradas nas obras de Picasso e Miró, peças com estampas tribais marroquinas e, claro, maravilhosos tapetes podem ser encontrados no ateliê, que fica no bairro industrial de Marrakech. lrnce.com

SOUFIANE ZARIB
Quando for visitar o Jardim Majorelle, aproveite para conhecer essa loja que fica bem perto, em frente ao Museu Yves Saint Laurent. Dá para comprar tapetes feitos pelos artesãos da loja ou produzidos também pelos berberes. A diferença de outros lugares é que eles produzem
peças sob medida e entregam onde você estiver. soufiane-zarib.com

LES NOMADES DE MARRAKECH
Essa loja foi fundada há 25 anos por uma família tradicional na produção de tapetes marroquinos. Usando materiais e técnicas antigas  e design berbere, a equipe de artesãos tece e tinge naturalmente peças em algodão, lã e seda. Os clientes, que também encontram peças feitas por tecelões de aldeias berberes vindas do Alto e Médio Atlas, vão de designers de interiores a arquitetos. lesnomadesdemarrakech.com

Uma visita a Essaouria

Mas eu fiquei encantada mesmo com Essaouira, uma cidadezinha a 2 horas e meia de carro de Marrakech. Localizada na costa do Atlântico, foi eleita Patrimônio Mundial pela Unesco e é um lugar onde os bons ventos sopram, por isso é muito frequentada pelos europeus no verão e conhecida pelos campeonatos de windsurfe e kitesurfe. A Medina, cercada por grandes muros cor de areia e portões de pedra imponentes, é menor que a de Marrakech, por isso pude passear com mais facilidade e observar as rezas dos muçulmanos com calma. Ao olhar para a arquitetura, dá para perceber a profusão de influências, não só portuguesa – já que o lugar esteve sob o domínio do país – mas francesa, romana, berbere, árabe e de tantos outros povos que chegaram ali pelo seu porto milenar. Passar por Essaouira foi vivenciar uma experiência transcultural e contaminante.

Posso dizer que encontrei o que fui buscar naquele lugar: beleza e inspiração.

 

* Marina Linhares é uma das mais prestigiadas designers de interiores do Brasil. Há 25 anos cria projetos de decoração com espaços acolhedores e atemporais e acaba de lançar seu novo livro - Alguém Passa por Aqu e Deixa Alguma Coisa (Editora Olhares, 2019)

 

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