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Tanzânia: natureza sem filtro

20/02/2020

Por Adriana Setti*. Especial para a The Traveller

Ocupando 1,5 milhão de hectares no norte da Tanzânia, quase na fronteira com o Quênia, o Parque Nacional de Serengeti é um dos lugares mais arrebatadores da África para contemplar a vida selvagem como ela é. Com doses de sorte e planejamento, a região também permite presenciar uma apoteose da natureza: a Grande Migração, quando milhões de gnus, zebras e gazelas cruzam as fronteiras dos parques naturais da região. Conciliar a aventura de um safári com dias de praia, onde descansar e relaxar são imperativos, é uma das ótimas possibilidades de viagem que este país ao sudeste do continente proporciona. Cercada pelo azul do Índico, Zanzibar é dona de algumas das praias mais irretocáveis do planeta, temperadas por uma fusão de culturas tão impactantes quanto passar rente ao cume nevado do Kilimanjaro – um bônus para quem voa do coração da savana até a ilha das especiarias. 

Parque Nacional de Serengeti: garantia de safáris emocionantes

Safáris: espetáculo da Vida Selvagem

O cenário que inspirou a saga de O Rei Leão faz tremer nas bases com sua imensidão dourada. Enquanto em outros parques africanos a arte consiste em rastrear os animais entre arbustos, no Serengeti a vegetação rasteira permite enxergá-los a uma distância desconcertante. Graças a esse jogo de perspectiva, tive o privilégio de ver um leopardo em primeiro plano enquanto, ao longe, uma numerosa manada de elefantes transitava calmamente. Também observei como a presença de uma chita sobre um tronco próximo ao nosso 4X4 ditava o comportamento ressabiado de impalas a centenas de metros de distância. 

Pontilhada de acácias solitárias, a savana adquire nuances surpreendentes ao cair da tarde, quando a onipresente silhueta do Kilimanjaro (o pico mais alto da África) ganha protagonismo no horizonte. Mas o verdadeiro momento de glória no Serengeti é presenciar a migração dos mais de um milhão de gnus, zebras e gazelas. Em manadas com proporções épicas, eles correm entre a Tanzânia e o Quênia em busca de água, seguidos por predadores. Uma vez que se trata de um fenômeno regido pelas chuvas, é difícil prever exatamente quando e onde os animais estarão. Mas, em geral, a movimentação tem início ao final da época úmida. 

Lodge Singita na Tanzânia: integração total com a natureza

Luxo à moda vitoriana

Aos pés do Kilimanjaro,  a cidade de Arusha costuma ser o ponto de partida para explorar o Serengeti. De lá, partem os pequenos e práticos aviões que levam aos hotéis e lodges da região, como o Singita Grumeti, que ocupa uma reserva privada de 141 mil hectares. O portfólio do complexo soma uma mansão cinematográfica em plena savana (Serengeti House); um hotel em estilo eduardiano (Sasakwa); um charmoso lodge de proposta sustentável (Faru Faru); um camp cheio de sofisticação (Sabora Tented Camp) e tendas móveis (Explore) que acompanham as migrações. Assim como na maioria dos lodges de safári, os roteiros, com algumas variações, incluem pensão completa (em altíssimo estilo), bebidas e dois game drives por dia, um ao amanhecer e outro ao fim da tarde.

Uma exceção a esse sistema é o Four Season Serengeti. Localizado nas proximidades da pista de pouso de Seronera (a principal da região), é o único hotel de grande porte da área. Com 77 acomodações, pode ser uma excelente pedida para quem almeja estar perto da vida selvagem (que tal observar os elefantes sem sair da piscina?), mas com uma rotina mais amena, já que os game drives são opcionais. O hotel ainda tem alguns esguios representantes do povo masai como anfitriões, que interagem docemente com os hóspedes.

Em Zanzibar, as praias são destaques

Prais em Zanzibar: índico blue

Arusha também funciona como o elo de conexão aérea entre a savana e Zanzibar. A ilha natal de Freddie Mercury é uma fusão de vários mundos e serve de contraponto à aventura vivida nas reservas naturais. “Descoberto” pelos portugueses e dominado pelo sultanato de Omã entre os séculos 17 e 19, o reduto muçulmano da Tanzânia (país predominantemente cristão) também foi protetorado britânico e, através do comércio (de escravos, inclusive), absorveu influências da Índia e da Europa. Esse mosaico de culturas salta aos olhos em Stone Town, a parte antiga da Cidade de Zanzibar, a capital, onde um emaranhado de ruas estreitas revela casarões coloniais decorados com magníficas portas de madeira trabalhada, souks que parecem estancados no século passado e uma vibrante feira noturna – ideal para provar a cozinha aromática da “ilha das especiarias” (não deixe de experimentar a versão local da pizza), em meio a mulheres e meninas cobertas com véus policromáticos.

Também é essencial visitar o antigo (e comovente) mercado de escravos, antes de partir para uma das praias à beira do Índico. Com areias alvíssimas e águas azul-turquesa radiantes, a badalada Nungwi, Paje (ótima para kitesurfe) e a pequena Mnemba (base de lançamento para a ilhota homônima cercada de bons pontos de mergulho) são as melhores opções para entrar no modo hakuna matata, adorável expressão em suaíli que significa “sem problema”. 

 

* Adriana Setti é jornalista e visitou a Tanzâna durante os quatro meses que passou na África recentemente. 

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