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Fiji: um paraíso no Pacífico Sul

26/09/2019

Texto e imagens por Andrei Polessi*. Especial para a The Traveller.

Pouco mais de quinze minutos em mar aberto e o pequeno barco parou no meio do nada. Não tinha ilha. Não se via sequer um recife por perto. Nada. “Tem certeza que é aqui?” – perguntei incrédulo. O barqueiro sorriu e confirmou com a cabeça. O lugar, conhecido como “Supermarket”, próximo a Mana Island, é tido como paraíso dos mergulhadores. Lá, o encontro com os habitantes locais durante um mergulho é certo: são tartarugas, arraias, tubarões e uma infinidade de peixes coloridos que passeiam sobre impressionantes jardins submersos. 

De cima do barco eu conseguia ver o fundo. “É bem raso” – pensei com certa ingenuidade. A verdade é que eu não tinha ideia da transparência daquelas águas e da real dimensão daquilo tudo. 

Só quando caí no mar, de máscara e cilindro, foi que percebi o engano: o que se via da superfície, na verdade estava a mais de 20 metros de profundidade. Fiquei estarrecido. 

Com aquela visibilidade, a sensação nítida que se tinha era a de estar voando, como num sonho. Não se espante – essa é uma sensação recorrente em Fiji: achar o tempo todo que estamos sonhando.

A República das Fiji fica “ localizada na Melanésia, região do Pacífico Sul, ao norte da Nova Zelândia, na Oceania. “Fiji time” é o lema que seus habitantes levam a sério – um tempo que passa mais devagar, que deve ser aproveitado de maneira diferente. É o que ditam as regras e o way of life nas mais de 330 ilhas que compõem este arquipélago. São os famosos 10 minutos que podem levar meia hora e que dizem pra você fazer as coisas sem pressa, aproveitando ao máximo cada momento. Sempre simpáticos, com um sorriso estampado no rosto e a típica saudação “Bula!” na ponta da língua, esse povo sabe ser hospitaleiro como poucos. São supermusicais (quase todo mundo canta ou toca algum instrumento) e muito orgulhosos de sua cultura e ancestralidade.

Por onde começar

Talvez não seja a melhor ideia tentar conhecer Fiji por inteiro de uma única vez. Esse destino, mesmo tão longínquo e remoto, merece mais de uma visita durante a vida. Voos de 4 horas de duração conectam Auckland, na Nova Zelândia, ao aeroporto internacional de Nadi, em Viti Levu Island (a primeira das duas ilhas principais). Tanto de Nadi, como da capital Suva, ao sul da ilha, é possível fazer o island hooping. O hooping é um serviço de traslado que vai pulando de ilha em ilha e pode ser adquirido para viagens curtas de um dia ou mais longas, de semanas. Há empresas que oferecem um “passe” com crédito que dá direito a várias ilhas, que você pode usar como achar melhor. Outra forma comum de transporte – e mais rápida – são os hidroaviões. Com eles é possível acessar ilhas mais afastadas de maneira mais prática e com um visual de cima do arquipélago, que é de cair o queixo. Ao sul de Viti Levu, são inúmeras as praias e os passeios, desde mergulho para alimentar tubarões-martelo, até museus e trilhas de trekking em busca de cachoeiras no Parque Florestal de Colo-I-Suva.


Mamanuca e Yasawa Islands

O primeiro conjunto de ilhas que vale a pena conhecer, a apenas 30 minutos de barco saindo de Denarau Port Marina em Nadi, são as Mamanuca Islands. Em Mana Island, há um local perfeito para snorkeling, belas praias de águas quentes e uma comunidade muito receptiva. É aqui que encontramos o Ratu Kini – um dive center comandado pelo brasileiro Bruno e sua esposa francesa Lexie, que realizam mergulhos nos principais pontos da região. Nos fins de tarde, o local se transforma em um dos bares mais agitados daquelas ilhas, com as ondas batendo aos seus pés e o sol se pondo no horizonte. 

Tavarua – ilha famosa por ter o formato de coração – é destino disputado e certo para os apaixonados por surfe. Mas o lugar não é para principiantes. É preciso
ter um pouco de experiência para encarar as ondas e o fundo de coral. 

Em Mamanuca, vale ainda conhecer dois lugares: primeiro Monuriki Island, local onde foi filmado O Náufrago, com Tom Hanks. Cenário que fará você redefinir de uma vez por todas o seu conceito de ilha deserta paradisíaca. Depois, o Cloud 9, um bar flutuante no meio do Pacífico. Entre um mergulho e outro das plataformas, você pode saborear uma pizza saída direto de um forno de pedra, enquanto assiste ao pôr do sol da sua vida. O lugar é muito exclusivo e tem que ser reservado com boa antecedência.

Mais ao norte, encontramos outro conjunto de ilhas: Yasawa Islands. Lá, um dos pontos mais famosos é a Blue Lagoon Beach, em Nacula Island. O lugar ganhou fama nos anos 1980, quando a atriz Brooke Shields se banhou naquelas águas durante as gravações do épico A Lagoa Azul. A praia sempre aparece nas listas das mais bonitas do mundo.

Vanua Levu: dança, música e culinária

A outra ilha principal de Fiji, Vanua Levu, pode ser alcançada através de um voo até Savusavu. Com inúmeros resorts e praias intocadas, é o lugar perfeito para experimentar um pouco da cultura de dança e música local, um dos orgulhos do fijianos. 

Não deixe de provar duas iguarias culinárias: o lovo é o assado variado de carnes, peixes e raízes parecidas com batata e mandioca, embrulhados em folhas e preparados lentamente num braseiro enterrado no chão. Já o kokoda é a versão do ceviche local. Servido em todo lugar, sempre com peixe fresco e leite de coco. Ainda vale participar de um ritual de kava: um chá denso preparado da infusão do pó de uma raiz, que para a maioria das pessoas tem um efeito extremamente relaxante.

Isso tudo é apenas uma pequena parte, há ainda outras diversas ilhas para serem exploradas. Fiji é muito mais que um destino, é um estado de espírito. Um conjunto sedutor com mais de 300 ilhas, todas de uma beleza natural exuberante e um povo extremamente receptivo, não há como não querer continuar voltando. E sonhando.

* Andrei Polessi é diretor de arte e fotógrafo, com especialização na UC Berkeley Extension e na Academy of Art University, nos Estados Unidos, usa a fotografia para criar relatos visuais de suas jornadas mundo afora. 

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