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Os tesouros russos em momento de Copa

12/06/2018
Estações de metrô que são verdadeiras obras de arte
As construções do Parque VDNKh lembra as glórias do Império Soviético

O maior país do mundo merece a sua visita independente da Copa do Mundo: encante-se com Moscou, São Petersburgo e Sochi. 
Por Décio Galina*. Especial para a The Traveller

O maior país do mundo (o dobro da área do Brasil) – com uma história decisiva para o caminho que a humanidade tomou nos séculos mais recentes – definitivamente não precisa de uma “desculpa” para ser visitado. Por isso, por mais que a realização da Copa do Mundo de 2018, na Rússia, atraia olhares dos quatro cantos do globo no período das partidas de futebol, estamos falando de um destino imperdível, bom para outros meses do ano – o importante mesmo é você se programar. O pontapé inicial da viagem por essas bandas é a estupenda Moscou.

 

Moscou

Na capital, o grande desafio é não se atirar logo de cara nos cartões postais mais clássicos da cidade de 12 milhões de habitantes. Controle-se. Resista à tentação de logo sair correndo para a Praça Vermelha. Tente não sucumbir à curiosidade de ficar tête-à-tête com as sete cúpulas coloridas da catedral de São Basílio (1561), em um dos extremos da praça. Adie um pouco a vontade de conferir in loco o mausoléu de Lênin (1870-1924) embalsamado. Esforce-se para não investir suas primeiras horas entre os templos do Kremlim, como as catedrais da Anunciação e da Assunção. Para uma experiência mais genuína, e sacar como o moscovita vive sua cidade, a dica é visitar o parque VDNKh (All Russia Exhibition Center), construído de 1935 a 1939 com o intuito de enaltecer as glórias do império soviético sob a rédea curta de Stalin. São diversos pavilhões batizados com os nomes das antigas repúblicas. Estátuas douradas retratam cenas clássicas daquela época, como o motorista de trator e a camponesa carregando o trigo, logo no topo do belíssimo portão principal – a estátua assinada por Vera Mukhina foi destaque na Exibição de Paris, em 1937.

Ao lado do parque, impossível não ficar de queixo caído com o Obelisco Espacial (100 metros de altura), erguido em 1964, três anos após Yuri Gagarin tornar-se o primeiro ser humano no espaço. É com esse pano de fundo que você verá famílias moscovitas empurrando carrinhos de bebê, jovens ziguezagueando de patins, a moçada na paquera, curtindo a tarde.

Pronto. Com a vivência no VDNKh, você verá com outros olhos os pontos mais turísticos – e os menos turísticos também. Por exemplo, o conjunto arquitetônico conhecido como Sete Irmãs de Stalin – prédios suntuosos espalhados pela cidade, com destaque para a Universidade de Moscou. Vale ressaltar que a locomoção de uma atração para outra também é uma... atração – uma baita atração, diga-se. Que me perdoem o metrô de Paris, Londres, Nova York ou Tóquio, o metrô moscovita é, disparado, o mais bonito do planeta. O sistema inaugurado em maio de 1935 nasceu com o conceito de as estações serem palácios para o povo – logo, não economizaram no mármore, em mosaicos, esculturas, lustres enormes e estátuas nas plataformas e nos acessos. Atualmente são 12 linhas, com 338 quilômetros de trilhos e 203 estações, muitas delas merecem a sua atenção mesmo que não vá conhecer nada nas redondezas. Não deixe de passear ao menos por: Ploshchad’ Revolyutsii, Komsomolskaya, Kievskaya, Mayakovskaya, Elektrozavodskaya e Novoslobodskaya.

 

Sochi e São Petersburgo

Poderíamos ter uma edição completa de The Traveller apenas para esmiuçar todas as belezas das outras 10 cidades sede da Copa, mas, como o ponto final se aproxima, destaco duas que são fora da curva e precisam de um espaço em seu roteiro: São Petersburgo (Museu Hermitage – com 360 salas –, Catedral de São Isaac, Catedral do Sangue Derramado e Peterhof – conjunto de jardins e palácios conhecido com Versalhes Russo) e Sochi, lugar de rara beleza, já que se espreme entre as montanhas nevadas do Cáucaso e as praias do Mar Negro. Para se locomover entre as cidades sede não abra mão de usar os trens da Rússia. O país tem tradição nessa modalidade de viagem, já que é endereço do mais longo percurso sobre trilhos disponível no planeta: a Transiberiana. Iecaterimburgo, outra cidade que vai receber a Copa, pode ser visitada através dessa linha que rasga a Sibéria até Vladivostok. 

 

* Décio Galina tem um carinho especial pela Rússia, país onde esteve cinco vezes, sempre usando Moscou como ponto de partida de viagens de trem. O jornalista atua há 20 anos produzindo conteúdo e reportagens de viagem e turismo para diversos jornais e revistas. 

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