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Quênia: sons da natureza

01/09/2020

Por Mari Campos*. Especial para a The Traveller.

Enquanto o sol se punha devagarinho nas planícies da Reserva Nacional Masai Mara e o dia ameaçava virar noite, os sons da natureza se faziam mais presentes no quase silêncio do entorno. 

Assim que o sol sumiu e o céu se tingiu de cores rosadas, dois leões começaram a rugir alternadamente à distância, em lados opostos. Ouvir o potente rugido de um leão nas savanas é algo realmente arrepiante. Diante dos meus olhos arregalados, meu ranger abriu um sorriso escancarado. "Eles estão muito longe, ele está chamando a fêmea. Com sorte, encontraremos um deles no caminho de volta", disse o meu guia do Mara Nyika, o mais novo lodge da região. E ele tinha razão: na metade do caminho em direção ao camp, nosso carro cruzou com um dos leões, um macho de aproximadamente cinco anos. Tranquilo, parou por cerca de um minuto diante do carro, tempo suficiente para que pudéssemos fotografá-lo repetidas vezes – e seguiu calmamente seu caminho em direção à sua prometida.

O reino dos felinos em Masai Mara
Da janelinha do avião, antes de pousar em pleno parque, é comum já avistar grandes quantidades de elefantes, gnus, zebras. Com sorte, até leões podem ser vistos à distância. São poucos os lugares do planeta com tanta visibilidade de vida selvagem ao longo do ano como a Reserva Nacional Masai Mara. Além da farta vida selvagem, não é raro por ali nos depararmos com o horizonte pontuado por uma única acácia, o céu alaranjado – a quintessência da imagem da savana africana. Lar dos big five e farto também em espécies de pássaros, a reserva nacional é notoriamente reconhecida como um dos melhores lugares do mundo para observação de felinos. Não é preciso muito esforço para ver leões e chitas em grandes grupos, faça chuva ou faça sol; com sorte, os tímidos leopardos podem dar as caras aqui e ali também. Em várias ocasiões, tive meu carro de safári diante de famílias com mais de uma dezena de leões de diferentes idades. 

Não é difícil entender por que lodges e camps de luxo fincaram ali suas bandeiras. A Great Plains Conservation, que já tinha o luxuoso Mara Plains e o aventureiro Mara Expedition, abriu no final do ano passado, o exclusivo Mara Nyika, o mais novo camp da região, com capacidade máxima para apenas 12 hóspedes. Sir Richard Branson, outro apaixonado pelo parque, abriu as portas de seu Mahali Mzuri, com 12 luxuosas tendas. Em comum, são todos camps de safári 100% sustentáveis, trabalhando diretamente com comuni dades masai de seu entorno. 

Território da grande migração – considerado o maior espetáculo de vida selvagem da Terra e que passa pela região todos os anos entre julho e outubro –, é ali em Masai Mara, já quase na divisa com o Parque Nacional de Serengeti, na Tanzânia, que aproximadamente 1 milhão de gnus e mais de 250 mil zebras (além de diversos outros animais) atravessam o Rio Mara. Imperdível, o fenômeno pode ser visto tanto da terra (com o chão literalmente vibrando com a passagem em massa dos animais) como do céu, através dos belos voos panorâmicos de balão que acontecem a todo amanhecer. 

Além da aventura
O Quênia também oferece a possibilidade de reunir cenários absolutamente distintos em uma mesma viagem pelo país. Da agitada capital Nairóbi à reserva nacional Ol Pejeta (onde estão os dois últimos rinocerontes-brancos do norte remanescentes no planeta), há excelente infraestrutura hoteleira, gastronomia caprichada e diversas opções para shopaholics se divertirem. A idílica Lamu Island é considerada a mais nova hot destination do país. Essa ilhota no litoral queniano vem sendo apontada como um pequeno e sossegado paraíso, ainda quase intocado – e tem atraído de celebridades a membros da realeza britânica a suas praias.

Elefantes e Kilimanjaro em Amboseli
Pousar no Parque Nacional de Amboseli em um dia claro é garantia de vistas impressionantes para o Monte Kilimanjaro. O ponto mais alto da África, com mais de 6 mil metros de altitude, fica na vizinha Tanzânia; mas é justamente desse parque do Quênia que temos o cenário mais bonito. Além das vistas panorâmicas para o Kilimanjaro e para o Monte Meru, o Amboseli é famoso também por seus milhares de elefantes. É praticamente impossível sair para um safári e não avistá-los em quantidade; são visíveis, inclusive, a curta distância da maioria dos lodges e camps. Em um dos meus safáris por lá, tive o carro rodeado por duas dezenas deles – que nos olhavam praticamente tão curiosos como nós os observávamos. Até mesmo os icônicos elefantes touro, alguns dos últimos exemplares da África, são também avistados. Somam-se a tudo isso vastos rebanhos de gnus, famílias de leões e mais de 300 espécies de pássaros.

Instalados em territórios marcados pela lava que o Kilimanjaro expeliu 360 mil anos atrás, os lodges e camps por ali também buscam unir extremo conforto com sustentabilidade e trabalham com as comunidades masais vizinhas, que compõem a maioria parte de seus staffs. As visitas às comunidades locais são programas simplesmente imperdíveis durante a estadia na região. No entorno do parque, os grupos andBeyond e Elewana Collection instalaram seus premiados Tortilis Camps. A Great Plains Conservation abriu o ol Donyo Lodge, com direito a fenomenais star beds (para dormir literalmente vendo estrelas) em todos os quartos, gastronomia com chancela Relais & Châteaux e tours em bicicletas e cavalgadas. Em suaíli, o idioma oficial do Quênia, a palavra safári significa “sair em jornada”. E ali cada uma dessas jornadas é realmente inesquecível.

Onde ficar

ol Donyo Lodge
O ol Donyo Lodge proporciona aos hóspedes a oportunidade de observar de perto a dinâmica dos animais selvagens em seu habitat. Além dos tradicionais safáris de jipe para observar leopardos, elefantes e outros animais emblemáticos, é possível avistar a fauna em cavalgadas ou caminhadas nos entornos das Colinas de Chyulu. O lodge conta com apenas seis suítes, além de uma unidade familiar de dois quartos – todas com vista para a savana.

Mara Nyika
Com projeto e design 100% sustentáveis, o mais novo lodge da região do Reserva Nacional Masai Mara é repleto de conforto e atmosfera de privacidade. São apenas seis tendas, para no máximo 12 hóspedes, incluindo duas suítes para famílias com crianças a partir de oito anos de idade. Destaque para os safáris em veículo 4x4, duas vezes ao dia, e os voos de balão, para ver do alto os cenários impactantes do país.


*Mari Campos é jornalista especialista em conteúdos de turismo de alto padrão e passa a maior parte do ano em aventuras mundo afora, que rendem colaborações para diversas publicações nacionais e estrangeiras.

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