Compartilhe
facebook twitter gplus mail

Cordilheira dos sentidos

10/07/2018
O Vik Chile tem um dos projetos mais impressionantes do Hemisfério Sul, combinação de vinho, arquitetura e muita arte.
A adega climatizada do Lapostolle Residence

A cerca de 200 quilômetros de Santiago, as vinícolas Vik e Lapostolle recebem hóspedes para imersão no vibrante universo dos melhores vinhos sul-americanos.
Por Fernando Torres*. Especial para a The Traveller

A montanha que separa os vales do Colchagua e do Millahue é um acidente puramente geográfico. A 15 quilômetros de distância em linha reta, embora a pouco mais de uma hora de carro, os terroirs irmãos são cenários de duas das vinícolas mais exclusivas do Chile. Próxima a Santa Cruz, a veterana Casa Lapostolle já emplacou o Clos Apalta 2005 como o vinho do ano pela revista Wine Spectator. Já o isolado Vik Chile, também conhecido como o antigo Viña Vik, lançou sua primeira safra há apenas dois anos e, em pouco tempo, fincou o vale do Millahue – “lugar de ouro” no dialeto mapuche – no mapa dos enófilos. Ambas são vinícolas-destino, isto é, merecem tempo para
serem apreciadas.

O Vik Chile, a propósito, tem um dos projetos mais impressionantes do Hemisfério Sul, combinação de vinho, arquitetura e muita arte. Desenhado pelo arquiteto Marcelo Daglio, em parceria com os proprietários, o casal norueguês Alexander e Carrie Vik, o hotel provoca nos visitantes uma sequência de experiências sensoriais. Logo na fachada, o teto de titânio – assumidamente inspirado no icônico Guggenheim espanhol, projetado por Frank Gehry – parece se contorcer ao ritmo do vento e, em especial, aos raios de sol que, refletidos em suas curvas, chegam ao living, de atmosfera futurista, e ao jardim japonês zen, de perfeita simetria. Cada uma de suas 22 suítes é decorada individualmente por artistas e designers internacionais, o que transformou o hotel em uma verdadeira galeria de arte. A suíte master Gabler's Grissaille, por exemplo, cria uma ilusão ótica em 3D, efeito conseguido com o papel de parede amassado, os quadros, o piso quadriculado, entre outros segredos do artista chileno Alvaro Gabler. Já a “H” é toda inspirada no universo da grife francesa Hermès, enquanto a “F” tem obras do milanês Piero Fornasetti. 

Algumas delas, como a Azulejo, com afrescos de ladrilhos portugueses pintados à mão, onde nos hospedamos, debruçam-se para o lago que circunda o hotel. A inventiva gastronomia do hotel complementa a experiência de quem se hospeda no Vik Chile. Voláteis, os pratos privilegiam os pescados do Pacífico, exemplo da corvina e do salmão selvagem, de sabor mais acentuado. Tudo harmonizado com os três tintos da casa. O ícone é o estruturado e complexo Vik, blend das cepas Cabernet Sauvignon, Carménère, Syrah, Merlot e Cabernet Franc, de percentuais variáveis conforme a safra. Descomplicados, porém elegantes, os blends Milla Cala e La Piu Belle complementam a carta. Não deixe de provar as castas separadamente na visita à bodega, assinada pelo arquiteto chileno Slamij Radic, com estética igualmente visionária e “desconstruída” – o ponto alto é o espelho d’água no teto, que resfria o salão de barricas de carvalho. E, assim como as outras áreas do hotel, tem o interior recheado de obras de arte. Para estender a viagem etílica, o spa tem diversas terapias à base de vinho, como banho de imersão, massagem corporal com óleo de semente de uva e tratamento antienvelhecimento com o polifenol resveratrol, extraído da casca da fruta.

Do outro lado das montanhas, a Casa Lapostolle, que completou recentemente 23 anos, é fruto do empreendedorismo da francesa Alexandra Marnier Lapostolle, da linhagem dos criadores do Grand Marnier. Encravada na pedra, a adega é recoberta por vigas de madeira, em um visual que relembra a obra Beam Drop, de Chris Burden, exposta no Inhotim. A seis níveis do subsolo, já no centro da terra, a degustação premia três rótulos da casa – começa com o branco ou rosé, cultivados na propriedade do vale de Casablanca, até os tintos, que variam de cepa conforme o ano. Destaque para o Clos Apalta, de taninos explosivos, e o aromático e equilibrado Carménère, da linha Cuvée Alexandre. Outro destaque para os amantes da boa mesa é o restaurante farm-to-table. Dos aperitivos à sobremesa, cada prato tem sua harmonização: com sorte, o sommelier pode abrir uma garrafa das safras remanescentes do Clos Apalta. Reservado, o espaço se localiza em frente à piscina de borda infinita, com vista cênica para o vale do Colchagua. Quedarse ali é privilégio de quem se hospeda na Lapostolle Residence, conjunto de apenas quatro suítes de madeira no alto da colina. Batizadas com nomes de espécies de uvas e com decoração clássica, elas integram o seleto rol de hotéis Relais & Châteaux, oferecendo uma estadia relaxante, totalmente integrada à natureza e ao universo dos vinhos sul-americanos.

 

Quando ir
o ano todo

 

Onde ficar

Vik Chile
Vale de Millahue
Sustentabilidade, conceitos holísticos, natureza preservada ao redor e projeto onde o conforto e a personalização dos serviços estão no centro das atenções. Com apenas 22 suítes projetadas pelo arquiteto Marcelo Daglio e uma vinícola de vanguarda, o Vik Chile combina inspirações ecológicas à exclusividade.

Lapostolle Residence
Vale de Colchagua
São apenas quatro suítes de madeira no alto de uma colina. Batizadas com nomes de espécies de uvas e com decoração clássica, elas integram o exclusivo Lapostolle
Residence, que pertence ao seleto rol de hotéis Relais & Châteaux, proporcionando uma estadia totalmente integrada à natureza.

 

* Fernando Torres - Jornalista há 13 anos, escreve sobre bem-estar, gastronomia, viagens e cultura. Atualmente, concilia o olhar de repórter com as leituras acadêmicas do mestrado em Comunicação e Temporalidades e com os posts do projeto Hotel Inspectors, que faz reviews sobre hotéis em todo o mundo.

0 Comentário

Comentários com conteúdo impróprio e/ou spam poderão ser removidos.

Onde ficar em Vale de Colchagua