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Viagens de trem - experiência inesquecível

11/04/2019

Por Décio Galina*. Especial para a The Traveller

O que se vê pela janela de um trem, muitas vezes, parece um sonho. Hipnotizado na paisagem mutante, a janela vira uma tela de cinema – você ali, submerso em um filme surpreendente, perde a noção do tempo; não sabe exatamente se passou uma ou três horas; mal sabe se está acordado. O conforto e a ginga de um trem de luxo deslizando por trilhos emblemáticos – nos lugares mais lindos da Terra – funcionam como uma espécie de mantra que conecta todos os passageiros na certeza de compartilharem um momento especial, um universo paralelo.

Rotas clássicas seguem entre os principais desejos de intrépidos viajantes. Por exemplo: existe maneira mais espetacular de conectar dois grandes destinos europeus como Veneza e Londres do que subir a bordo do Venice Simplon-Orient- -Express (partindo da Itália às 11h05 e chegando à capital britânica no dia seguinte, às 17h45)? O que dizer então do Belmond Royal Scotsman, que, entre seus roteiros pelos castelos da Escócia, oferece quatro noites, partindo e chegando em Edimburgo, no Scotch Malt Whisky Trail?

No sudeste asiático, outro trem que pende entre o onírico e o real: The Eastern & Oriental Express, que sai de Bangkok no fim da tarde para viajar três noites e chegar pela manhã em Cingapura. Além de degustar o cardápio de Ian Kittichai, chef celebridade na Tailândia, você tem a chance de acompanhá-lo em um tour pelo mercado de Kanchanaburi. Já na África do Sul, você pode embarcar no Blue Train e deslizar 1.600 quilômetros de trilhos entre Pretoria e Cape Town em uma viagem de 27 horas; ou nas diversas linhas da Rovos Rail – que pode incluir até safári na Namíbia. Agora, meu amigo, se seu negócio é montanha, não abra mão, de jeito nenhum, dos vagões panorâmicos do Rocky Mountaineer: saindo de Vancouver, vistas maravilhosas das Rochosas Canadenses, cruzando British Columbia (via Kamloops) até Jasper, em Alberta.

Terra de superlativos por motivos óbvios, claro que seria na Rússia a maior estilingada férrea disponível nesse planeta. Partindo de Moscou, são dois os ramais principais do que se popularizou chamar de Transiberiana. O mais turístico vira à direita em Ulan Ude (a 5.642 quilômetros da capital russa), um pouco depois de passar ao sul do Baikal, lago mais profundo do mundo, com 1.637 metros – 20% da água doce da Terra. Cruza a Mongólia, troca as rodas na fronteira com a China e vai até Pequim. Fiz essa brincadeira em 2001, fatiando a viagem de um mês em três desembarques antes da capital chinesa: Ecaterimburgo, Severobaikalsk e Ulan Bator. Embarquei no ramal menos turístico – só em solo russo, povoado basicamente por locais – em 2010. Aí, foi sem escalas. Sete dias no trem: 9.289 quilômetros de Moscou a Vladivostok.

Na América do Sul, em 2016, voltei ao Peru para refazer uma aventura dos tempos de colegial (só que dessa vez com todo conforto possível): viajar de trem para Machu Picchu. Percorri os 58 quilômetros entre Poroy e Águas Calientes no balanço bom do Belmond Hiram Bingham. Uma composição de locomotiva norte-americana e vagões de Cingapura ambientada nos anos 1920. Trem panorâmico com música ao vivo: janelas no teto e traseira aberta para curtir as montanhas cobertas de verde e a sinuosidade do Rio Urubamba, serpenteando entre campos de quinoa, milho e batata. Quem sabe em breve eu embarque em outra experiência incrível sobre trilhos peruanos: Belmond Andean Explorer, trem luxuoso que conecta Cusco, Puno e Arequipa em um roteiro de duas noites, com o Lago Titicaca incluído. E você? Em qual trem vai embarcar em 2019?

* Décio Galina - jornalista que adora ficar hipnotizado pela janela de um trem. Já explorou sobre os trilhos destinos na Europa, Índia, Egito, Tailândia, Letônia e Cazaquistão.

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