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Bodrum e a Riviera Turca

05/12/2018

Por Alexandre Eça*. Especial para a The Traveller

Com legado cultural herdado dos Impérios Otomano, Romano e Bizantino, a cidade portuária, terra-natal de Heródoto, o primeiro historiador de que se tem notícia, compõe a região conhecida como Riviera Turca e tem sua existência intimamente ligada ao Mar Egeu e às navegações. Não à toa, é também um importante centro de arqueologia subaquática, tamanha a quantidade de antigos naufrágios localizados ao longo da sua costa desenhada por praias arenosas, penhascos rochosos e baías caprichosamente protegidas. Nos últimos anos, com a escalada de tensões políticas e sociais, a Turquia viu o número de visitantes cair drasticamente por conta da repercussão internacional dos atentados terroristas em Istambul.

Nesse período turbulento, Bodrum permaneceu recolhida, quase como uma observadora atenta do mundo contemporâneo, que decide dar um tempo para voltar vibrante aos holofotes em um momento mais propício. O momento chegou. Ponto de encontro de artistas e  personalidades turcas, a cidade vive outra vez uma era de protagonismo e há duas temporadas surge como estrela do verão europeu. Tudo indica que 2019 será um ano ainda mais brilhante. 

Quem guarda a cidade é o Castelo de São Pedro, uma emblemática fortaleza do século 15 construída na entrada da baía, que se destaca no horizonte e hoje abriga o Museu de Arqueologia Submarina de Bodrum, considerado o melhor museu do gênero no planeta e local mais visitado ao lado do Mausoléu de Halicarnasso. Vista do mar, esta construção causa tanto impacto quanto o gracioso casario alvo, inspirado na arquitetura grega. O visitante tem aos seus pés o porto – região mais sofisticada da cidade, em constante movimento com restaurantes, bares e pontos de arte local distribuídos por uma área que concentra eterna atmosfera de badalação nas temporadas de verão. Tudo quase tão impressionante quanto o azul de tons profundos do Egeu. 

O mar, testemunha da história turca que projetou Bodrum ao mundo, é o início, o meio e o fim das experiências na região. É obrigatório um passeio de guleta pelas ilhas da Turquia e da Grécia, onde as águas do Egeu e do Mediterrâneo se confundem em meio a praias que são um convite ao mergulho, ao windsurfe ou ao stand up paddle. A tradição dita que as guletas sejam produzidas à mão. Esses pequenos barcos de madeira, há muito utilizados por pescadores e fruto do trabalho de mestres artesãos, podem acomodar desde casais que procuram por momentos românticos a famílias inteiras em busca de atividades no mar. 

Parte das imagens que imortalizam Bodrum, somente as guletas conseguem acessar enseadas e baías mais isoladas. Pode-se optar por níveis diferentes de conforto. Ter um chef a bordo preparando as refeições com o que há de mais fresco em cada porto é daquelas experiências para se guardar para sempre. As rotas podem ser desenhadas de acordo com os interesses de cada grupo e duram um, três ou sete dias de navegação. A única preocupação de quem navega é aproveitar os cenários deslumbrantes da costa turca. 

 

* Alexandre Eça é jornalista e fotógrafo colaborador da revista The Traveller

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