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Nova York, a escola do grafite

08/06/2017
O grafite "Explosão de Amor", do artista brasileiro Kobra, no bairro de Chelsea.
Bairro de Manhatan, em Nova York.

O grafite surgiu a partir das marcas que adolescentes deixavam em vagões de metrôs e prédios, na Nova York dos anos 70. Considerado o grafiteiro mais célebre e vanguardista de seu tempo, na mesma época, Jean-Michel Basquiat difundia mensagens poéticas em Manhattan e já chamava a atenção da imprensa nova-iorquina. Décadas depois, a cidade ainda abriga o grafite, consolidado como parte das artes visuais, mais precisamente da street art ou da arte urbana, que transformam os espaços públicos em verdadeiras galerias a céu aberto. 

A importância da arte nas ruas é tão grande, que a prefeitura de Nova York estimula o grafite artístico com a criação de espaços oficiais, donos de lojas elegantes remuneram artistas para trabalharem em suas calçadas e portas, e até cursos de grafite acontecem em vários bairros.

Por meio de workshops, atividades práticas e pinturas colaborativas e individuais, é possível ter a experiência de ser um artista e colaborar com a reprodução da arte de rua. São ensinadas técnicas de aerosol art, etiqueta, além de uma breve história sobre educação artística em geral. A experiência de aprender grafite no local onde houve o seu boom é essencial para os amantes das artes. Lower East Side, Bushwick, Brooklyn, Harlem e Bronx são apenas alguns dos locais que instigam novos grafiteiros. 

Toda grande metrópole tem um ritmo acelerado, sofrendo mudanças constantes. A arte de rua é capaz de acompanhar esse dinamismo. A interação do artista com o que está à sua volta reflete em um espaço multicolorido, multiétnico e multicultural.  Banksy, Buff Monster, Beau Stanton, Werc, além dos brasileiros Gustavo e Otávio Pandolfo (OSGEMEOS) e Kobra são apenas alguns dos artistas que têm seus trabalhos espalhados por lá. OSGEMEOS já tiveram exposição na galeria Lehmann Maupine e Kobra é autor de um badalado grafite no bairro de Williasmburg, na lateral de um prédio de tijolo, onde estão representados, lado a lado, o artista pop Andy Warhol e Jean Michel Basquiat, além da obra “‘Explosão de Amor”, ao lado do High Line Park. 

A arte urbana já esteve presente na cidade de outras formas, como na Frieze NYC, uma das mais prestigiadas feiras internacionais de arte contemporânea, na mostra "City as Canvas: Graffiti Art from the Martin Wong Collection, em 2014 no Museum of the City of New York, e na recente exposição Martha Cooper da homônima fotógrafa especializada em arte de rua, na Steven Kasher Gallery, encerrada em junho de 2017. Já no século 21, o grafite conseguiu feitos notáveis, como a revitalização do bairro de Wynwood, em Miami, anteriormente hostil e perigoso e hoje dono de uma efervescência cultural, social e econômica, além da criação de um museu, o Arte 42, em Paris, exclusivamente dedicado à street art. 

É inegável que promover aulas de um movimento artístico de tamanha importância e notoriedade contribui, e muito, para tornar Nova York uma cidade, ainda mais, interessante e única. Trabalhos na rua, exposições em museus e galerias, aulas sobre grafite, enfim, que a Big Apple continue contribuindo para mais uma forma de manifestação da arte. 

Bairro de Queens, em Nova York.
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